Publicado por: miwi | setembro 25, 2007

Halo 3 – Outras Visões

Por que eu, que:

a) Não tenho um XBOX360;

b) Não curto fps,

c) Não curto jogar online

Resolvi fazer um post sobre Halo 3?

Mas é óbvio: para ver se alguém cai aqui ao pesquisar sobre Halo 3! xD

Brincadeirinhas bobas de lado, o real motivo está no título deste post: porque eu quero falar sobre outros pontos de vista que não os comumente expostos quando se fala desse jogo.

Por exemplo, o fato de Halo 3 ter opção com dublagem em português. Eu particularmente não sou grande fã de dublagens, o original costuma ter uma qualidade muito superior, seja em perfomance dos dubladores, seja na qualidade da gravação. Mas pelo pouco que eu ouvi, ela está realmente bem feita.

Dublar um jogo é, NO MÍNIMO, tão trabalhoso quando dublar um filme. Um filme tem cerca de duas horas de cenas sequenciais. Um jogo pode ter muitas, mas muitas horas de diálogos. Mesmo em se tratando de um jogo “atire primeiro, pergunte depois”, Halo 3 ainda tem muitos diálogos, seja pelos comentários que seus aliados ou inimigos controlados pela máquina fazem quando você mata alguém ou dirige mal, seja pelas cenas de história.

É caro? Para a maioria dos jogos, é. Tanto que ainda hoje existem muitos jogos que não dublados, e os que são normalmente são dublados em uma única língua… duas, talvez. Mais do que isso é fato absurdamente raro. Mesmo para os jogos de “peso”, dublar é um trabalho longo, que toma muito tempo.

Dito isso, devo voltar ao fato de termos Halo 3 dublado em português. Não é a dublagem em si que chamou a minha atenção, mas seu significado: que a Microsoft sabe que temos gamers aqui, gamers suficientes para comprar cópias de seu jogo e fazerem valer o investimento em dublagem. Como muitos, tenho sérias críticas em relação a Microsoft, mesmo em relação ao seu videogame: 3RL? Que durante muitos meses foi negligenciada pela própria Microsoft, que culpava os usuários pelo defeito? Erro de engenharia, e erro dos mais graves, e que me fez ignorar por completo a possibilidade de ter um XBOX360, ao menos até as 3RL serem coisa do passado. Mas a Microsoft, fazendo uso de seu porte e do fato de já estar no Brasil através de seus jogos e aplicativos para PC, decidiu lançar seus jogos de XBOX360 por aqui. Não apenas importando-os de maneira legalizada, como a Nintendo, e não ignorando por completo nosso mercado, como a Sony.

O resultado dessa estratégia? Jogos a preços interessantes, com o próprio Halo 3 como exemplo: 179 no Submarino, e isso podendo ser parcelado em várias vezes. Se você comprar um jogo de Wii num desses sites, mesmo que seja o pior jogo do mundo, você não irá gastar menos de 200 reais, sendo que a média é maior do que isso, de 230 a 280 reais.

Outra vantagem? Regionalização dos jogos. Mesmo nos jogos que não são dublados em português (ou seja, todos com exceção de Viva Piñata e Halo 3, ao menos até onde eu sei), os menus e as legendas costumam aparecer em português também.

Sinceramente? Com a Microsoft dando atenção ao mercado brasileiro, eu acho vergonhoso a quantidade de pessoas que ainda compram os “piratões”. Eu poderia iniciar uma longa discussão sobre pirataria aqui, mas isso renderia um post enorme por si só e eu ainda quero falar de outras coisas aqui.

Como todo o “hype” que gira em torno deste jogo. Não, não, meu caro fã de Halo 3, não se preocupe; não pretendo dar uma de Nintendista Xiita e dizer que a Microsoft comprou todos os meios de comunicação e que esse é só um joguinho mediano. Pelo pouco que eu li a respeito, o jogo parece estar realmente bom.

E igualmente boa parece ser a estratégia de Marketing da Microsoft: juntando todos os elementos de “hype” que um jogo poderia ter, garantiu que Halo 3 se pagasse muitas e muitas vezes logo na estréia. “Elementos de hype?”, você poderia se perguntar. É, elementos de hype. Você os conhece muito bem, de tantas outras marcas que se tornaram famosas nos últimos tempos:

a) Marketing viral – todo mundo falando desse jogo, em blogs, orkut, msn, o que for. Fãs de Halo 1 e 2 falando, e quem foi jogando o beta também. Aliás, a idéia do beta foi ótima: beta-testers gratuitos, viciados em games, com zilhões de comentários sobre o jogo e que ainda fariam marketing viral do jogo sem cobrar nada.

b) Versões de colecionador – você pode até não ter o mínimo interesse em ter um capacete do Master Chief e pode ter mais o que fazer do que ficar vendo “extras” de um jogo. Afinal, por que alguém guardaria essas tranqueiras ao invés de simplesmente jogar e ser feliz, certo? A questão é que muitas empresas perceberam o óbvio: pessoas tem uma tendência natural a gostarem de ter o maior número de tranqueiras relacionadas aos seus hobbies. A versão Legendary de Halo 3, que vem com um capacete de Master Chief para você guardar e dois DVDs repletos de extras só não é a versão mais vendida por causa de seu preço salgado (399 reais contra 179 da versão comum e 249 da versão Limited, que vem com o jogo e um DVD de extras). Ainda assim, a versão Legendary também consta na lista da Amazon dos jogos que tem sido mais vendidos. Ou seja, aproveitando-se do sucesso, a Microsoft lança alguns extras, melhora algumas cenas dos jogos anteriores, comenta, fala sobre os bastidores dos jogos e… ta-dam! Tem-se um produto que irá trazer ainda mais dinheiro para os bolsos dos produtores, usando uma embalagem muito bem feito e materiais dos bastidores que provavelmente apenas ficariam guardados em cantos escuros se ninguém fizesse essa versão.

Halo 3 - Legendary Edition

c) Agradando a mídia – Não é tão simples quanto “comprar” a mídia. Mas é fato que jornalistas felizes tem mais tendência a fazerem reviews mais positivas. Bons jornalistas não irão se vender tão facilmente, claro; mas mesmos esses tendem a dar pelo menos alguns décimos a mais quando estão se sentindo “simpáticos” a companhia. Que maneira melhor de fazer isso do que entregar cópias de um dos jogos mais esperados dos últimos tempso à mídia ANTES dele ser lançado? Agrada-se a mídia e, no lançamento do jogo , já se tem diversas críticas favoráveis ao jogo para atrair consumidores receosos.

d) Lançamento barulhento – faça uma festa! Atraia mais pessoas, junte os fãs! Um fã receoso certamente irá sair da festa gostando mais de Halo 3 após ouvir um fã empolgado, mesmo antes de jogá-lo. Aumente o hype nesse momento crucial! Filas fazem fãs ficarem horas pensando “eu preciso jogar esse jogo, eu preciso jogar esse jogo”… e é exatamente isso que as produtores querem, não é mesmo? Chame a atenção de pessoas que nem sabiam o que era Halo 3, mas irão lá “dar uma olhadinha” para não “ficarem por fora”.

E possivelmente mais alguns itens que não me ocorrem agora. Se isso é bom? Isso é ótimo – eles vendem mais e, sabendo que irão vender bem, eles podem fazer coisas como fazer edições limitadas e dublagens em português para a versão brasileira. Fãs ganham, Microsoft ganha.

Quem não ganha são as pessoas que tem de aguentar fãs menos esclarecidos que confundem hype com qualidade. Halo 3 não é bom porque não se fala em outra coisa a não ser ele – ele é bom porque a Microsoft tem noção dos consumidores exigentes que costumam comprar estes jogos, e se fala nele muito mais do que em qualquer outro jogo por causa do marketing muito bem feito da Microsoft.

O “hype” não o torna o melhor jogo do mundo, assim como não tornou Harry Potter o melhor livro do mundo, nem Star Wars I o melhor filme do mundo, nem… bom, vocês pegaram a idéia. O fato dele vender mais do que outros jogos não o torna necessariamente melhor do que outros jogos, mas sim mostra o poder de se ter um excelente marketing aliado a um excelente jogo. Existem outros jogos excelentes no mercado e que não vendem nem perto do que Halo 3 irá vender por conta de um marketing menos agressivo. Não é de se estranhar: os jogos das plataformas concorrentes costumam vir da terra do sol nascente, e os EUA são reconhecidamente mais agressivos do que o Japão em tudo, por que não o seriam no marketing?

Existe marketing, e existe o produto, assim como existem as pessoas que enxergam as diferenças e as semelhanças entre essas duas coisas, e as que não. Halo 3 não é tão bem falado só porque é bom, nem porque tem bom marketing – é a combinação dos dois que tem levado suas vendas e suas notas até as estrelas.

Bons tempos em que um jogo era apenas um jogo, não?

…(HA! Duvido que alguém tenha lido até aqui!)

Anúncios

Responses

  1. minha linda genia e seus textos hiper mega inteligentes e enoooorme
    hauhauhauauh
    siiim, eu li todo ele
    xD
    minha nerd
    hauhuauauahuahuahhua
    aaaaaaa, eu ainda quero um xbox360 (ele me agradou mais q o ps3, hauhuahuhauhahha)
    mor mor
    te amoooooooooooo

  2. Eu li!
    E, olha que curioso, o seu post aumentou o hype em cima de Halo =P O hype é tamanho que acaba pegando até os mais alheios, como voce e como eu. Eu quero e eu VOU jogar Halo 3, mesmo sem conhecer os anteriores. Vou dar um jeito de pegar um 360 emprestado só pra isso. Quero ver se todo o bafafá faz juz, e estou esperando um baita jogo. Os reviews que li pagaram um pau gostoso pro jogo, então deve ser bom mesmo.

    Ah, fiz um post sobre pirataria ontem no finzinho da noite. Mas juro que só li o seu post agora.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: