Publicado por: miwi | fevereiro 10, 2008

[Diário Gamedev] Parte I – A realidade é sua amiga, caia nela

Bom, esse deve ser o primeiro de uma série de posts que eu pretendo fazer sobre o tema. Eu pretendo desenvolver um jogo. Ou melhor, muitos, mas para isso eu preciso começar, não é mesmo? E, como eu vejo pouco material em português sobre o processo de criação de um jogo, resolvi fazer esta espécie de “coluna”, o Diário Gamedev. Nele, eu pretendo comentar sobre cada passo que eu tomar para fazer meu primeiro jogo.

Muito embora o material disponível para a programação de um jogo cresce de maneira exponencial, mesmo em português, o material sobre todo o processo de criação continua escasso em nossa língua. E é esse o propósito dessa coluna: mostrar alguns (talvez a maioria, veremos o andamento dessa coluna 🙂 dos passos relevantes na criação de um jogo. Desde a “idéia brilhante”, até a busca de recursos e a aprendizagem da ferramente escolhida para o desenvolvimento do jogo e, se eu chegar lá, talvez até mesmo a divulgação do jogo. Tudo depende de como as coisas caminharem: esse é o MEU diário, afinal.

Como se trata de um diária-de-bordo desde os primeiros passos, esse primeiro post sequer falará sobre programação ou arte gráfica. Se você quer linhas de programação, já há uma quantidade razoável e de boa qualidade de material disponível, e por hora não há nenhum bom motivo para replicá-lo. Eventualmente, existirão trechos do código do meu jogo, mas ensinar a programar numa determinada linguagem NÃO é o propósito dessa coluna. Mostrar a importância de pensar de maneira objetiva e planejar seu jogo, por outro lado, é.

A essa altura, você deve estar se perguntando sobre a razão do título desse post. “A realidade é sua amiga, caia nela”, mas que diabos de título é esse, Cindy? Bom, se esse é o primeiro post sobre o processo de criação de um jogo, eu gostaria de começar comentando sobre algumas REALMENTE importantes que as pessoas deveriam saber antes de sair baixando todas as engines, makers e outros softwares de criação de jogos que encontrar pela frente.

A mais importante é essa que está ali no título do post: não se esqueça da realidade. É muito legal pensar “UAAAAU, vou fazer um jogo, OMFG!”, mas nem mesmo os grandes nomes da indústria se esquecem da realidade enquanto fazem seus jogos. Nem mesmo aqueles desenvolvedores indie que fizeram jogos realmente interessantes, como Aquaria, se esquecem da realidade. Como eu posso ter tanta certeza disso? Simples: se eles se esquecessem da realidade, jamais terminariam seus jogos. Ou fariam jogos de merda.

Se você nunca programou, mal entende de artes gráficas, nunca escreveu um roteiro na sua vida… não pense em fazer um jogo para competir com Resident Evil, ou um MMORPG com mais fãs do que Ragnarok – ou melhor, não pense em fazer um MMORPG, ou que seja um Hal0-killer, ou qualquer coisa do gênero. Você PODE ter projetos ambiciosos, mas esqueça aquela ilusão que muitos gamers parecem alimentar, a de que criar um jogo é tão simples e divertido quanto jogá-lo.

Se você não gosta de ler, talvez criar jogos não seja para você. Você terá de aprender muita coisa – se você quiser trabalhar com a parte gráfica, terá muito a ler sobre isso, se você for programar, terá de LER MUITO. Mesmo que você apenas queira fazer um jogo simples com gráficos prontos no Game Maker, você terá de ler sobre o programa, ler sobre game design, sobre lógica de programação… ler é necessário. OK, não é algo necessário, mas a probabilidade de você fazer um jogo sem ter lido coisa alguma tende a… quase zero. A probabilidade de você fazer um jogo BOM sem ter lido MUITO é ZERO. Desde opiniões, dicas, tutoriais, artigos… se você já está cansado de ler isso aqui e está ansioso pela parte na qual eu efetivamente irei falar sobre como eu desenvolvi um jogo, amigo, desista. Ou aprenda a gostar de ler – isso ainda lhe será muito útil, não importa o que você faça da sua vida.

E a grande companheira da teoria: a prática! Mesmo depois de você passar algum tempo planejando e estudando, a probabilidade de você fazer um jogo complexo bom numa primeira tentativa é, novamente, mínima. Depois de ter planejado seu jogo – sim, fazer um jogo envolve planejamento, mesmo que ele seja uma mera reconstrução de Pong! -, comece a implementá-lo aos poucos, testando cada pedaço, se possível. Aliás, se você conseguir, faça primeiro o jogo mais simples possível, e então vá colocando as opções que você achar interessantes – gráficos melhores, mais opções de jogo…

Se você quer fazer um jogo complexo, pergunte-se: você iria jogá-lo? De que adianta fazer um jogo “estilo Resident Evil 4”, mas com gráficos piores, jogabilidade pior, história pior… apenas uma cópia mal-acabada de um grande jogo e que não oferece inovação alguma? Se você visse uma resenha sobre o seu jogo em algum site especializado, você se interessaria em jogá-lo?

É claro que isso não se aplica se você estiver no seu primeiro projeto: você pode apenas querer ver como as coisas funcionam, e aí não há mal algum em fazer um clone de Pong, Pacman, Tetris, Sokoban, Mahjong, etc. Aliás, recriar um jogo clássico pode ser uma boa maneira de começar: você presta atenção de outra maneira em jogos que já jogou, passa a se perguntar “qual a lógica por trás do funcionamento desse jogo?”, e começa a descobrir que um mesmo problema pode ter diversas soluções.

Mas se a sua intenção é divulgar seu jogo para outras pessoas, a pergunta “eu gostaria de jogar esse jogo?” não deve sair da sua mente.

Por mais ambicioso que seja o seu projeto, comece de maneira simples. Você irá se surpreender com a quantidade de passos necessários para fazer um simples… Pong, mesmo ele sendo um dos jogos de implementação mais simples já inventados.

Fazer um jogo é um exercício de paciência, persistência e muito, muito esforço e dedicação. 99% das pessoas que querem fazer o próximo “Hal0-killer” desistem antes mesmo de conseguir implementar uma versão simplória de Pong. Eu quero estar nesse 1% que fez alguma coisa. Você também? OK, vamos tentar 🙂 Mas embarque comigo sabendo que a jornada não será fácil.

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Responses

  1. posso embarcar com vc amor???
    posso posso???
    eu sei q sou uma naia de progamação, mas eu quero fazer um joguinho simples ainda, sei la
    e vc sempre certa neh, xD…muitas pessoas viajam na maionese querendo fazer O JOGO sem ao menos ter conhecimento desejavel e pratica para faze lo
    e eu tenho 100% de certeza q vc estara nesse 1%, e se depender do meu apoio, vc fara muito mais q apenas um jogo, e melhor, se eu conseguir aprender algo a respeito, eu me dedico 100% para te ajudar em sua jornada
    ai ai, sabe, estou com saudades ja…
    TE AMO
    muito muito muito
    :*****:

  2. É isso aí…

    Tem gente que mal sabe o que é gravidade e quer montar um foguete para ir até marte sozinho!!!!

    É sempre melhor começar devagar. Meu primeiro jogo foi um RPG, em modo texto, no MSX basic. Meu colega jogou e conseguiu terminar em pouco mais de 2 minutos.

    Mas fiquei feliz, ele achou divertido. 🙂

  3. Well… Estarei acompanhando por perto! xD

    E tb to tentando criar um jogo… Vou fazendo comentários aleatórios aqui e com vc por msn… ~~~~/o/

  4. […] [Diário Gamedev] Parte I – A realidade é sua amiga, caia nela […]

  5. […] A realidade é sua amiga, caia nela, da Cindy Dalfovo Iniciando em desenvolvimento de jogos, do Rodrigo Flausino […]

  6. aew blz eu keria fze4r um mmorpg tiop rag e keru aranjar jente pa progrma eu fasso os personagem i historia ok?

    Pior é que em todos os foruns de gamedev TODO MUNDO quer fazer um mmorpg. É incrível!
    Eu só queria fazer um platformer algum dia =~
    Se eu conseguir fazer algo, quero tentar chegar até o nível de Gunstar Heroes, aí eu fico feliz ;D

  7. Isso é o óbvio que só os garotos de 16 anos que freqüentam a Unidev não notam e eu não sei porque.

  8. Hehe muito bom começo! Espero por mais!

  9. Muito bom seu artigo! vou estar acompnhado de perto pode ter certeza!

  10. Vou referenciar no meu wordpress. Gostei.

    SObre os comentarios: “nível de Gunstar Heroes, aí eu fico feliz ;D” Idem! ^^ Gustar Heroes Rulez! Simples e muuuuuito divertido!


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