Publicado por: miwi | abril 7, 2008

Games e a Sociedade

Enquanto alguns perdem seu tempo tentando implantar leis esdruxúlas contra os malvados jogos que fazem pessoas se tornarem assassinas (e, como até mesmo Stephen King apontou, como ninguém foi tão ligeiro em reclamar da facilidade com que um moleque conseguiu uma arma poderosa e assassinou dezenas de colegas da sua escola? Claro, ele é um assassino porque jogava Counter-Strike, não tem nada a ver com o fato da sociedade estar em claro declínio moral, nem com a facilidade de se conseguir uma arma de fogo…), algumas pessoas um pouco mais inteligentes resolveram usar o fascínio pela mídia interativa para mostrarem questões sociais que normalmente só seriam vistas em longos e tediosos textos.

Para mim, é algo muito inteligente: ao invés de reclamar dos jogos que estão aí e da maneira como eles podem influenciar de maneira negativa uma pessoa, algumas pessoas resolveram que um jogo era uma boa maneira de educar as pessoas.

Nessa categoria de jogos, temos projetos mais sérios e com um escopo bem diferente dos jogos usuais: o foco principal passa a ser passar uma mensagem, e não apenas entreter o jogador.

Um jogo… ou melhor, um exemplo de mídia interativa, já que há poucos elementos de “jogo” nessa apresentação, que procura mostrar às pessoas algumas das dificuldades das pessoas refugiadas e o trabalho da UNHCR ( The Office of the UN High Commissioner for Refugees ), se chama Against All Odds. São três “atos”: War and Conflict, no qual você tenta escapar do seu país, Border Country, no qual você tenta conseguir refúgio em outro país, e A New Life, que mostra o começo da sua nova vida no outro país.

Against all odds

Há um certo receio em chamá-lo de jogo já que ele dificilmente se trata de um jogo “completo”: você não tem muitas opções, é mais um “clique no que puder, se estiver certo você passa dessa fase”, e não é lá muito difícil: é meio óbvio que você tem de concordar com tudo o que os policiais dizem no “interrogatório”, por exemplo. A primeira parte, War and Conflict, é a melhor, ao menos na minha opinião: consegue dar um pouco de interatividade: você controla seu personagem tentando escapar da cidade sem ser visto, e qual meio de fuga você irá utilizar para sair do país, e consegue evocar emoções de maneira mais efetiva, como quando você só pode escolher três coisas para levar na sua mala, ou escolher entre deixar pessoas para trás ou correr o risco de ser pego quando está fugindo de caminhão, por exemplo.

A New Life é mais chato, mas vale uma conferida – você provavelmente não vai perder mais do que 10 minutos para terminar este ato, de qualquer maneira.

Existem, claro, muitos outros jogos do gênero. Outro exemplo é Ayiti, the Cost of Life. Uma espécie de jogo de estratégia focado no 3o mundo, mas num 3o mundo beeeem pobre, onde você deve ajudar uma família pobre a melhorar de vida. E você deve dar uma conferida no McGame, jogo de estratégia onde você controla… o McDonald’s. Com direito a subornar todo tipo de pessoas, matar vacas doentes com raios laser, usar resto para alimentar suas vaquinhas e enchê-las de hormônios, desmatar florestas para plantar soja e criar gado… educativo ;p Existem imagens de DVDs como o Super Size Me, então eu me pergunto se eles tem alguma relação entre si (além do fato óbvio deles não gostarem do McDonald’s ;p).

Além disso, eu encontrei um blog com um assunto socialmente bastante interessante: acessibilidade gamer. São diversos posts sobre acessórios para controlar videogames e computadores sem ser com as mãos (desde câmeras para perceber o movimento dos olhos, sensores de movimentos da cabeça, tem até mesmo um Wiimote adaptado!).

Como uma das coisas que mais me dá medo é de um dia acontecer alguma coisa comigo e eu perder a capacidade de digitar, eu fico feliz em ver que existem esforços e interesse por essa área, para que pessoas que não tenham certos movimentos ainda possam fazer alguma coisa na sua vida.

Não que a vida dessas pessoas deixe de ser um tanto quanto trágica, mas poder interagir com outras pessoas, poder jogar, mexer no computador… provavelmente torna a situação “suportável”, mesmo que essa interação seja bem mais difícil do que usualmente seria.

Para quem quiser conferir, o blog é este aqui.

Anúncios

Responses

  1. Conheci na GDC, em fevereiro, um grupo de estudiosos para a Acessibilidade em jogos. Criação de jogos pra pessoas com algum tipo de deficiência. Muito legal mesmo.
    Vi um Pong pra cegos, em que a distancia da rua “raquete” pra bolinha é mostrada pelo volume do som, quanto mais perto, mais alto. Bem interessante.

    Continue o bom trabalho aqui no blog. Parabéns! =)


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: