Publicado por: miwi | julho 11, 2008

[Review] Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift [Nintendo DS]

Eu tenho o Nintendo DS há cerca de um ano e tenho apenas dois jogos originais. O motivo é bastante óbvio para quem sabe um pouco sobre o DS: eu tenho um R4. E por quem eu comecei uma review de Final Fantasy Tactics A2 falando disso?

Há quase meio ano, eu fiz uma promessa para mim mesma: o jogo de DS que realmente me impressionasse, que me fizesse gastar várias horas jogando, eu compraria original.

Final Fantasy Tactics A2 é o jogo que eu comprei para cumprir essa promessa (embora ele ainda não tenha chegado… viva a greve dos correios! \o/). Quando eu encomendei o jogo, eu tinha cerca de 10 horas na versão européia da ROM. Atualmente estou com cinquenta horas de jogo e não me arrependo de ter encomendado o original.

Se você quer saber o que eu tanto gostei no jogo, continue lendo ;D

Final Fantasy A2: Grimoire of the Rift

Eu resolvi testar esse jogo depois de tanto ouvir as pessoas falando bem. Eu me lembrei de como eu já tinha tentado jogar RPGs táticos e de como eu não tinha gostado… mas resolvi dar uma chance ao jogo mesmo assim.

Se eu fosse imaginar qual foi a motivação dos criadores para fazer este jogo, eu diria que alguém lá na Square-Enix viu Hermes & Renato e ficou imaginando… “e se o Joselito fosse personagem de um anime?”.

A história de Final Fantasy Tactics A2 é a resposta: Luso, vulgo Joselito, tem de limpar a biblioteca no último dia de aula. Por quê? Porque ele não levou o semestre à sério e o seu professor achou que ele precisava de um pouco de “disciplina”. Ao chegar na biblioteca, ele percebe que o bibliotecário não se encontra por lá. O que o nosso amigo Joselito faz? Encontra um livro que se encontra parcialmente em branco, vê que na última página está escrito “qual o nome do herói que irá preencher as páginas desse livro?” e ele, como bom Joselito, resolve escrever seu nome no livro, afirmando que não poderia perder a oportunidade de escrever seu nome em um livro da biblioteca.

De imediato, ele é transportado para um mundo estranho, onde ele cai em cima de uma galinha gigante e leva umas boas bicadas.

Já pelo início do jogo você pode observar que o jogo possui sua função didática e moral, e a lição desse início é:

Nunca, sob hipótese alguma, deprede os livros da sua biblioteca. Você será bicado por galinhas gigantes se o fizer.

FFTA2 - VieraMas, para sua sorte, você encontra um clã disposto a lhe acolher. E porque você deveria entrar para esse clã? Bom, eu pessoalmente prefiro entrar em um clã a tentar descobrir o que galinhas gigantes fazem com humanos minúsculos naquela terra, você não?

O líder do clã se chama Cid, o que provocará um sorriso bobo em quem já jogou outros jogos da franquia Final Fantasy e sabe que TODO jogo tem algum Cid, em algum lugar.

Na primeira batalha eles explicam como funciona o jogo, o que é excelente para quem nunca havia jogado um RPG tático… como eu. Na primeira vez que eu joguei um RPG tático, eu achei extremamente enfadonho; só lutas, lutas, lutas. Embora esse ainda seja o caso em FFTA2, eu descobri que as lutas em um RPG tático são muito mais interessantes do aquelas de um RPG por turnos: por mais alto que seja o seu nível, as lutas nunca se transformam em “aperte A até o inimigo morrer”, mesmo contra os inimigos mais simples.

Para quem nunca jogou um RPG tático, as batalhas ocorrem em mapas isométricos (sabe aquela visual meio… 2.5 D? Que tem uma sensação de profundidade maior mas que não chega a ser 3D? Pois é), onde você posiciona os seus personagens no início da batalha nos lugares permitidos e então tenta derrotar o outro time. Cada personagem tem seu momento para agir, que é definido por quão rápido ele é (isto é, um personagem mais rápido pode chegar a atacar duas vezes antes de chegar na vez de um personagem mais lento). Ele pode se movimentar e escolher uma ação, que pode ser um ataque básico ou uma habilidade especial do seu trabalho.

Para exemplificar melhor, aqui vai uma screenshot do jogo, onde você pode ver o mapa isométrico e as opções da Adelle: fazer um ataque básica, tentar roubar algo ou usar itens:

ffta2_mapa

A movimentação também é limitada pelo tipo de personagem que você tem: um mago usualmente poderá andar menos do que um lutador, por exemplo. E um moogle terá dificuldade em escalar terrenos acidentados, enquanto que um bangaa ou uma gria poderão subir nos terrenos mais íngremes. Aí já se percebe partes da estratégia do jogo: se você tiver de subir um penhasco para chegar em um inimigo, será muito mais sensato escolher um time com pelo menos um personagem que possa subir terrenos mais íngremes, como os bangaas ou as grias, do que formar um time repleto de nu mous, os baixinhos que normalmente são escolhidos para serem magos.

FFTA2 - moogleIsso torna a escolha do seu time muito mais interessante: faz você pensar em treinar vários personagens diferentes, para as diferentes situações do jogo. O seu clã pode ter até 24 personagens, sendo que alguns deles são fixos, como o Joselito, Adelle, a ladra de meia tigela, Cid, o personagem eterno da franquia e alguns outros personagens… se você quer uma dica, é só lembrar que a história se passa no mesmo mundo de Final Fantasy XII.

Outro aspecto do jogo que faz você querer jogar o jogo por horas e horas é o fato de que o seu personagem não precisa ser apenas um lutador, ou apenas um ninja, um mago negro, etc. Ele pode ser um misto de dois trabalhos diferentes: você pode ter até duas opções de habilidades diferentes: uma corresponde às habilidades do seu trabalho atual, e na outra você pode escolher as habilidades de um outro trabalho que você quiser.

Mas, que habilidades são essas? Você adquire habilidades usando armas que possuam habilidades do seu trabalho. Quando você dá *master* em uma habilidade, você poderá trocar de arma que você poderá continuar usando aquela habilidade – desde que você permaneça no mesmo job ou use como segunda habilidade as habilidades do job dessa habilidade na qual você deu *master*.

Mas, senhorita chapéuzinho vermelho, como diabos eu dou *master* em uma habilidade? Observe a tela abaixo, na qual um bangaa está escolhendo que arma irá utilizar:

ffta2-escolhendo-uma-arma

Ele é um guerreiro, e a espada Samson possui a habilidade “Rend Power” para os guerreiros. Além disso, é uma habilidade que precisa de 250 Pontos de Habilidade (AP) para ser completamente aprendida. Você ganha pontos de habilidade sempre que completa uma quest, ou mesmo quando vence inimigos aleatórios encontrados no mapa, e esses pontos de habilidade são distribuídos para todos os personagens, e para todos os equipamentos desses personagens. Ou seja, ao ganhar 10 AP em uma quest, TODOS os equipamentos irão ganhar 10 AP. Quando você completar a barra, ela será substituída pela palavra *master*. Por isso, muitas vezes você irá escolher um equipamento não pelos atributos, mas pelas habilidades que elas fornecem aos seus personagens.

Eu não sei se vocês percebaram pela descrição acima, mas isso é extremamente viciante. Adoro ficar tentando descobrir qual o melhor time, quais são as melhores habilidades… e, para isso, eu preciso de equipamentos. Como esse jogo é extremamente mercenário, não basta apenas fornecer loot nas lojas do jogo – ao fornecer itens no bazaar, você pode até habilitar um novo equipamento na loja, mas você terá de comprá-la se a quiser. E, é claro, os equipamentos mais raros e mais interessantes só podem ser comprados uma vez – se você quiser mais, terá de trazer mais loot para recriar o equipamento.

Voltando à história, nosso amigo Joselito precisa encontrar um meio de voltar para casa, inclusive com flashbacks que mostram como sua tia deve estar preocupada com o fato dele ter sumido de casa. Mas, veja bem, nós estamos falando do Joselito, logo, seus companheiros é que tem de lembrá-lo que o seu objetivo é encontrar um meio de voltar para casa, já que nosso amigo se distraí com qualquer quest para matar alguns monstros.

Você já acha o jogo cheio de estratégia e de detalhes que irão fazê-lo perder horas a fio no jogo? E olha que eu ainda não contei tudo: por exemplo, o motivo de você entrar para um clã é que… bem, quem pertence a um clã não pode morrer.

… é, eu sei. WTF? Se eu soubesse disso, teria entrado para um clã e virado uma pirata.

Mas, para isso, você deve respeitar as leis do juiz que vigia o seu clã. E quem é esse juiz? Bom, eu imagino que seja alguém com um espírito de porco tão grande quanto o do próprio Joselito, já que ele não se satisfaz com o fato de você ter derrotado o inimigo, para receber a benção do juiz você deve fazer isso respeitando as regras impostas por ele. Regras estas que são ditas no início de cada batalha, e que podem ser verdadeiros absurdos como “é proibido atacar membros do sexo oposto”, “é proibido errar um golpe”, “é proibido atacar membros de nível inferior ao seu”, “bangaas não podem usar habilidades especiais nem atacar”, etc.

FFTA2 - VieraSe você não respeitar as regras, você não pode mais reviver os guerreiros naquela batalha, irá perder os itens que o juiz normalmente te dá no final de cada batalha e você perderá o privilégio de clã que você escolheu no início da batalha, que podem ser coisas como melhorias no ataque, mais velocidade, regenerar alguns pontos de vida a cada turno, etc.

O meu privilégio de clã favorito, caso vocês não tenham percebido pelo meu vício em ensinar novas habilidades, é aquele que dá pontos de habilidade extras no final da quest.

Eu acho que é um tanto quanto desnecessário falar muito sobre os gráficos, já que é possível vê-los com clareza nos screenshots que eu já usei, mas eu posso dizer o que eu acho sobre eles: são bem bonitos (considerando-se o hardware do Nintendo DS, claro), a pixel-art dos personagens é bem caprichada, tanto que dá para ver certos detalhes dos personagens mesmo com eles daquele tamanho no mapa… e os diálogos possuem desenhos estilo anime dos personagens ao lado de suas falas, o que deixa o jogo ainda mais bonito.

Ele não usa a stylus, e eu nem imagino como ele poderia usá-la – ok, talvez seja possível escolher a opção desejada com a stylus, mas eu pessoalmente nunca usei a stylus no jogo. E é tão natural jogar sem ela que eu fico grata pela Square-Enix não ter inventado moda só para usar a bendita stylus…

O som é viciante… eu me pegava cantarolando a música principal do jogo mesmo com o DS desligado. Mas isso também pode ser devido ao fato de eu ter ficado jogando durante horas a fio, quem sabe… se você quiser conferir o estilo da música, o melhor que você pode fazer é ir ao site oficial, já que a música tema fica tocando de fundo. Eu pessoalmente gostei ao ponto de não desligar o som mesmo depois de várias horas jogando, o que quer dizer muito, considerando-se que é essencialmente a mesma música que fica tocando, com algumas variações aqui e ali.

O jogo, porém, não é perfeito, mesmo para os mais viciados no gênero. Um fator que a Square deixou de lado e faz falta é a possibilidade de poder jogar contra seus amigos. O jogo teria um fator de replay tendendo ao infinito se isso fosse possível! No entanto, a Square optou por por fazer uma opção wireless “de mentirinha”: o máximo que você pode fazer, se tiver um amigo com o jogo, é escolher a opção “trade” no menu inicial. Com isso, ambos ganharão um “tíquete”, que pode ser trocado por um equipamento “surpresa” em um dos dois aeródromos do jogo.

Apesar de ter recebido alguns itens interessantes desta maneira, eu realmente esperava mais de uma opção wireless…

Mesmo assim, o jogo dura bastante… com minhas cinquenta horas de jogo, eu fiz cerca de 110 missões, de um total de 400. Mesmo que você considere que eu jogo em um ritmo “devagar e sempre”, há de se convir que é um título que você provavelmente não largará tão cedo, ao menos não por falta do que fazer no jogo…

Por exemplo, assim que eu voltar a jogar, vou voltar a tentar habilitar a profissão de Geomancer, que eu ainda não consegui… profissões novas são habilitadas no decorrer do jogo, após a realização de certas quests… a maioria é bastante óbvia, já que possui o nome da profissão no título da missão…

Não vou dar nota. Acho que vocês já puderam perceber o quanto eu gostei do jogo. Não vou dizer “compre!”, o fato de EU ter comprado o jogo mesmo depois de ter jogado o pirata já diz o suficiente sobre isso…

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Responses

  1. Haha, ainda não li tudo, parei pela metade

    Mas estou gostando e concordando com tudo que li até agora
    Parabens =D

  2. ótimo review…
    melhor que muitos em revistas por ai…

    o esquema de batalhas parece interessante… me lembra shining force II (mega drive)…

    queria eu conseguir escrever tanto sobre um game…

    abraço..

  3. Esse eu vou comprar também!!!! Aí a gente troca presentinho hahahah xD
    Só não sei se vou pedir agora, estou em dúvida…
    Um amigo meu já tinha comentado que estava muito bom.

    Eu sempre curti esse estilo do tatics, tem muita gente que acha chatinho mas eu me amarro xD

  4. muito enteresante sua analise com serteza foi muito detalista eu me amarro no estilo tactis mas nao sou muito bom emquanto estou desidindo se irei comprer meu ds vou jogar o final tactis do game boy advanced so para ver se pego o geito vc esta de parabens..

  5. Quanto pagou pela peça?

    Esse ainda não joguei, mas estou com muita vontade de jogar 🙂

  6. Parabéns pelo review, parabéns pela compra do Jogo.

    São poucas as franquias de game que não causam arrependimento nos jogadores e Final Fantasy com certeza é uma delas.

  7. Ual, você é tão incrível quanto esse game.

    Casa comigo?? rs

    Parabéns!!!


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