Publicado por: miwi | novembro 21, 2008

O Que a Microsoft deveria ter aprendido com o Ubuntu…

Se há algo que é absolutamente necessário para a adoção de um sistema é que ele tenha uma boa usabilidade. Foi o diferencial da Microsoft durante algum tempo, e então o Windows se tornou o líder. Sim, o Mac também tem uma excelente usabilidade – superior tanto ao Linux quanto ao Windows, pelo que me dizem – mas isso não foi suficiente para que ele fosse o sistema dominante. Desconfio que isso se deva ao ego do tamanho do mundo da empresa, mas isso é assunto para outra discussão… A questão é que a usabilidade é uma condição necessária, ainda que não suficiente, para que um sistema seja adotado pelas massas. O que é usabilidade? Sem nos prendermos à semântica, um sistema é tanto mais "usável"  quanto mais ele "falar a língua do usuário". Ou, em termos práticos, quanto menos o usuário precisar o Google para descobrir como se fazem coisas simples, melhor.

Usabilidade é conectar dispositivos ao seu computador e não ter de revirar a internet atrás de maneiras de fazê-lo funcionar. É não ter de adivinhar qual dos 100 programas que você instalou e desintalou está fazendo o início do seu sistema ficar mais lento. É ter um sistema que esteja preparado para as tarefas simples que qualquer usuário comum irá usar, como acessar a internet, usar um mensageiro instantâneo, verificar e-mails e gravar um DVD. Durante muito tempo o Linux foi o sistema da liberdade – mas uma liberdade complicada. Uma liberdade que te permitia voar, se você tivesse asas. Se você não as tivesse, você estaria fadado ao subsolo. Isso vem mudando, e mudando para melhor. A passos largos. A primeira vez que eu tive contato com Linux foi com um Linux em modo texto. Preciso dizer que eu não imaginava porque diabos alguém iria querer usar aquele negócio? A segunda fez foi com o Ubuntu. Acabei desistindo porque na época eu usava muito o voip e ele simplesmente não reconhecia meu microfone. Então, veio o Vista. Bom, acho que o retrocesso do Windows XP para o Vista dispensa apresentações, certo? Por mim, eu teria continuado no XP, mas meu notebook veio com o Vista e eu simplesmente não tive saco para mudar o sistema operacional, ainda mais conhecendo o fato de que muitas vezes é difícil achar drivers para os dispositivos do notebook. Resolvi tentar o Ubuntu DE NOVO. Desisti e desinstalei depois de ficar TREMENDAMENTE irritada quando uma atualização do sistema desconfigurou minha internet. Poucas coisas me deixam tão irritada quanto ficar sem internet, juro. Fúria Aí, essa semana resolvi dar uma nova chance ao Ubuntu, que está na sua versão 8.10. Intrepid Ibex é um nome bonito, deveria me dar sorte, não é mesmo? E deu sorte. Sendo que sorte, nesse caso, consiste no resultado do esforço de diversos desenvolvedores apaixonados pela idéia de software livre e que, graças a deus, tem ido às suas aulas de Usabilidade 101. Eu comprei um teclado USB para o meu computador, para poder usar meu antigo monitor de 17" como monitor principal e o teclado do notebook como monitor secundário. Eu precisava do teclado extra porque, sinceramente, não é muito prático estar digitando e olhando para o lado para ver o resultado – isso traz torcicolo, na melhor das hipóteses. Tentei dois teclados no Vista, ele se recusou a reconhecer qualquer um dos dois. E isso depois de eu revirar o Google atrás de drivers. Com o Ubuntu, resolvi testar de novo, meio descrente e iimaginando que tipo de sandice eu teria de fazer para fazê-lo funcionar. Conectei o teclado, esperei… onde seria que eu teria de ir para instalá-lo…? Achei estranho não ver nenhuma janelinha aparecer dizendo "um novo dispositivo foi detectado! você gostaria de instalá-lo ou você simplesmente gosta de enfiar coisas no seu computador?" Você quer mesmo instalar esse dispositivo? Fiquei desconfiada. Abri uma janela qualquer com espaço para digitação e digitei. E letras começaram a aparecer na tela. Eu juro que quase não acreditei nos meus olhos. Para configurar, só precisei ir em Sistema -> preferências -> Teclado e escolher o teclado com o layout do meu – no caso, aquele de Português Brasileiro, com cedilha e tudo o mais. E funcionou. Desconfiada da minha sorte, resolvi testar alguma outra coisa… já sei. O meu microfone, que havia sido a causa da rejeição do Ubuntu na primeira vez que o testei, e que se recusava a funcionar direito no Windows Vista – eu estava usando meu headset no computador do meu namorado (que, ironicamente, também usa o Windows Vista) para conseguir falar com alguém sem chiados. Fui procurar um gravador de som, que foi encontrado em Aplicativos -> Som & Video -> Gravador de Som. Minha mãe conseguiria achar esse aplicativo, o que, novamente, é bom. E coloquei para gravar. Nada. Nenhum som. Pensei "ok, you still fail, Ubuntu". Mas como não sou de desistir fácil, resolvi mexer nas configurações de som, jogar todos os níveis do microfone para o máximo e gravar em formato de áudio sem perdas. "1,2,3,4,5,6, testando…" echo "1,2,3,4,5,6, testando…" UAU. Fui ligar para a minha mãe. Não estava em casa. Engoli em seco, resolvi gastar um pouco mais e liguei para o celular. Mamãe atende, estranha que eu não estou ligando a cobrar. "Mãe, você está me ouvindo bem?" "Alto e claro, Cindy, por quê? Você está ligando do seu computador?" (sim, eu já havia falado do problema para ela e ultimamente eu usava o Voip do computador do meu namorado para ter uma ligação decente) "Sim, mãe!" "O que você fez para funcionar?" Pensei em dizer "Ubuntu, mãe, Ubuntu!", mas achei que explicar o que é um sistema operacional e como o Ubuntu era um sistema sensacional iria destruir meus escassos créditos no Vono, resolvi dizer que depois eu explicava. "Alto e claro", não "o que? Está com chiados! Não estou te ouvindo direito!". Toma essa, Windows! Take That, Windows! Claro, eu ainda não testei tudo – será que a minha webcam funciona aqui? Faz tanta falta que eu ainda nem me dei ao trabalho de ir testar, percebam. E isso que eu só estou mencionando as coisas que mais me chamaram a atenção – nem falei na internet sem fio que funcionou de primeira (depois que eu coloquei a senha, claro), nos aplicativos essenciais que já vieram instalados, como o gravador de CD/DVD, o sensacional Amarok… programas básicos que já estavam no menu inicial ou que foram facilmente adicionados indo em Aplicativos -> Adicionar/Remover. ISSO é que é adicionar e remover programas. Eu estou preparada para ir para a linha de comando de vez em quando, especialmente quando eu estou desenvolvendo. Mas coisas como ouvir música e gravar DVDs eu espero que estejam funcionando assim que eu instalo o sistema, sem maiores configurações. E o Ubuntu realiza essas funções de maneira muito interessante. Sinceramente, acho que só vou voltar a logar no Vista quando for jogar Fallout. Isso se eu não criar vergonha na cara e instalar o Windows XP no Wine… mas é rola uma preguiça, sabem…? Aliás, o Linux é conhecido como o ambiente dos desenvolvedores, mas parece que eles não
se contentaram apenas com esse público (ou então desenvolvedores são mais frescos do que eu imaginava…), porque é muito fácil achar temas no Google. Além disso, estou com um papel de parede em XML. Isso, XML. O XML define qual o meu papel de parede, de acordo com a hora do dia. Ou seja, eu posso saber em que parte do dia estamos sem precisar olhar lá fora! (aliás, não que eu precisasse antes… viva o relógio do sistema… e o widget que informa o tempo e a temperatura lá fora…). Olha que bonito está o meu sistema: Meu atual desktop, em duas telas Sim, estou usando duas telas. Como eu queria há muito tempo e o Vista não deixava. Liberdade em software precisa de usabilidade. É uma lição que o Ubuntu aprendeu, e que o a Microsoft desaprendeu. Três vivas para o software livre!

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Responses

  1. No Linux eu não preciso instalar nenhum driver pra nenhum dos meus dois notebooks, simplemente funcionam. Já no Windows eu tenho que instalar driver para TUDO, simplesmente não reconhece nada. E não me digam que é hardware ruim, um Acer e um HP. O Acer poderia ser safado mas é todo Intel então não dá para entender como um Windows XP tem 3,5GB após instalado e não tem um driverzinho sequer.

    Distribuição Linux geralmente é menor e já vem com programas úteis para você usar o computador. Windows você instala aquele bicho enorme e o que ganha em troca ? Nada, tem que ir atrás de software se quiser fazer algo.

  2. Isso é muito bom, geralmente as pessoas tem uma cabeça muito fechada e quando alguma coisinha da errado as pessoas tendem a desistir e voltar ao windows :/

    Em relação a adoção de mac, é complicado discutir, seria uma discussão do mesmo nível de “se o Opera é bom, porque ninguém usa?”. Mas mesmo assim, depois da volta do Steve, troca pelo Unix Darwin, versão 10+ (OS X) o sistema voltou ao “caminho da luz”.

    Hoje em dia o mac tem um market share muito bom (8% contra 0.7% do linux, ou algo assim). E isso tendo em vista que vendem hardware e software juntos, o que geralmente é visto como um ponto negativo.

    Achei um link da Net Applications: http://marketshare.hitslink.com/report.aspx?qpr

    Detalhe no iPhone, 0.33% 😡

  3. gosto do meu windows vista
    uso ele perfeitamente em tuuudo
    auhauhuahhauhuahhaha
    será que só funciona comiiigo????
    e nunca precisei de drive para nada…
    la la laaaaaaaaaaaaaa
    mas me pareceu excelente o novo Ubuntu, e ainda mais ele consegue mover a tela dos programas como se fosse gelatinaa… *_*
    te amo momozi
    demais
    quando cansar ou der um erro volte sempre ao meu pc sem erros
    auhauhauuaha

  4. Falei que era pra dar uma nova chance pro pingüim… xD

    O Mark Shuttleworth, dono da Canonical, empresa que cuida do Ubuntu, diz que quer transformar o linux em algo tão usável quanto o Mac OS em dois anos… Levando em conta tudo que esse pilantra fez na vida, eu não duvido… =P

  5. Sou usuário do Ubuntu desde o 6.06 (antes disso, preferia Debian). Pra mim foi unir o util ao agradavel, ja que tinha passado a odiar o windows dos meus tempos de gamedev pra N-Gage. Quando saiu a plataforma Maemo, que é um Debian embarcado, da nokia, entrei de cabeça e não me arrependi. Gamedev em uma plataforma segura e aberta é outro papo.

    Muita coisa no ubuntu melhorou ultimamente. e você vai ver que apesar de as vezes algumas coisas não funcionarem, como minha webcam, mesmo a emulação de windows roda muito bem (uma das minhas ferramentas de level design foi feita por um amigo meu em Delphi e roda quase perfeitamente, assim como meus jogos, Unreal, C&C Renegade, Neverwinter Nights).

    Apenas um toque: Wine é uma camada de abstração (mas eu acabo chamando de emulador mesmo), mas ele não roda o windows completo. Pra instalar o windows, vc deve estar se referindo ao QEmu, ao VMWare ou ao VirtualBoxes (que pelo que ouvi falar, é oq esta melhor)

    E só pra completar: Meu note veio com XP (sorte. Um mês mais e ele viria com Vista), e durante um bom tempo mantive o dual boot (nunca se sabe né. O XP vivia abandonado, mas sempre esteve lá). Depois, ao re-instalar , nem rede ele detectou! Vale também comentar que não tenho Vista por falta de opção não. Tenho direito a licenças estudantis do Vista de graça e nem por isso pego.

  6. Só pra completar. XP foi varrido do HD e não me fez a menor falta.
    estou a uns 6 meses “descontaminado”

  7. Meu note veio com drivers para xp e vista, logo o vista nunca nem chegou perto dele. Mas o que falta para eu conseguir usar o linus em casa é eu ter uma internet decente, sem ela num rola, não tem como usar linux sem internet.

    E eu não tenho problemas com o XP.

  8. Windows Vista em notebook é f**a mesmo. Meu irmão comprou um Dell e queria colocar XP, gastei quase um dia inteiro atrás de drivers e configurações. No fim funcionou.

    Quanto ao Mac, acredito que esteja tanto a frente do Windows, quanto a frente do Linux. Mas como todos sabem, ter um Mac é privilégio de poucos. Alguns podem tentar usar um hackintosh da vida, mas não é a mesma coisa. O processamento vai lá em cima e dá muito erro de reconhecimento de periféricos (mouse, teclado…). Quem quer usar Mac, tem que comprar, não tem jeito e o preço é um bem salgado. E o pessoal de desenvolvimento ta preferindo desenvolver em Mac hein…

    Agora sobre o Ubuntu não tem comentários, desde que comecei a usar, não parei mais. Eu reviro ele a minha maneira e deixo ele do jeito que eu quero. Tudo funciona. Vai ser difícil eu voltar a usar Windows. Talvez para jogos…talvez…

    Do resto, parabéns pelo blog, muito bom!

  9. Tive uma experiencia parecida com o Ubuntu. eu até gosto da proposta, visual e facilidades, mas ele deixa a desejar em:

    1.Programas são complicados de instalar offline (com o synaptic fica tudo fácil, mas….)
    2. Não reconhece celulares e modems…Meu modem não funcionou, nem o externo nem o interno…

    Mas um dia, eu consigo..ou parto pro Mac Os…

  10. Um dos maiores motivos para eu gostar do Ubuntu é que eu consegui fazer a Internet funcionar nele em menos de um minuto, enquanto na época, eu levei algumas semanas para conseguir repetir o mesmo feito no windows…

    Mas infelizmente, ainda tenho que usar o windows para algumas coisas… O Wine não consegue cobrir tudo.

  11. […] post é dedicado a todos os amantes do Mario e que gostam do Ubuntu. O blog Décima Arte publicou uma screenshot onde um dos ícones do sistema é baseado no cérebre […]

  12. Tenho dual boot com ubuntu e XP, minha placa mãe deu problema com a porta PS/2 do teclado, então comprei um com interface usb, funciona perfeitamente no Ubuntu 8.10, mas no XP não, problema com driver.


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