Publicado por: miwi | dezembro 16, 2008

Os Desafios da Consciência (E Porque Você Deveria se Importar com Isso)

Que raios de título é esse, Cindy? O blog virou lar de devaneios, agora? Não, não… sou uma sonhadora, uma pensadora, uma utópica, mas sou pé no chão e faço o possível para não entrar em discussões de puro pseudo-intelectualismo.

Renault Clio

Afinal, de que consciência estou falando?

Pensei em falar “desafios da auto-consciência”, mas isso poderia evocar idéias que não eram exatamente as que eu desejava. De que tipo de consciência estou falando? Daquela consciência que nos torna mais alertas para o mundo, mais atentos, mais observadores.

Eu me lembro que, quando entrei na auto-escola, eu aprendi a dirigir em um Clio. De repente, todos os carros da cidade pareciam ser Clios, como se da noite para o dia houvesse ocorrido uma inexplicável promoção de Clios e todas as pessoas da cidade tivessem decidido que deveriam ter Clios – somente isso poderia explicar o fato de que repente eu só conseguia enxergar Clios diante de mim, quando na véspera eu mal percebia tais carros na cidade.

Com esse exemplo você já pode perceber um problema: quanto disso é consciência, ou seja, a habilidade de perceber algo que se conhece, e quando disso é “vício” de se ver apenas o desejado, tal qual um jovem encontra vestígios da ex em todas as outras pessoas que encontra. Quanto disso é necessário para que seja libertador, inspirador, e não um vício que acorrenta o usuário?

Voltemos ao caso – digamos que eu passe a dirigir outros carros – Corsa, Palio, enfim, outros carros populares. Ou mesmo um Vectra ou outro carro do gênero. E que de repente um certo carro me chame muito a atenção por algum motivo, como um carro do mesmo modelo de um bom amigo, por exemplo.

Então, quando eu passear pelas ruas, eu não vou perceber apenas Clios, mas também todos esses carros.

Da mesma maneira, uma maneira de não enxergar mais um ex em todos os lugares é conhecer outras pessoas.

Esta é a consciência de que estou falando: aquela percepção atingida quando algo nos chama a atenção, algo como perceber a existência de algo apenas após saber o seu nome.

retrato-da-monalisa-la-gioconda-leonardo-da-vinci-museu-do-louvre-paris

Mas por que isso é importante?

Tenho um especial apreço pelo Renascimento. Ou melhor, pelo Homem Renascentista: um ser que se interessa por todas as áreas: lê livros, ouve música, filosofa, arquiteta. Seu maior expoente é, creio eu, Leonardo da Vinci: um gênio que “rabiscou” e “esboçou” nas mais diversas categorias, obtendo grande destaque em algumas dessas áreas, em especial a pintura, claro. Era um pintor, mas um pintor que fez esboços de helicópteros, estudou anatomia humana como poucos em sua época ousaram fazer – mesmo fazendo coisas impensáveis à época, como profanar cadáveres para estudá-los.

Seus estudos em anatomia mostraram resultados em suas pinturas: suas personagens apresentam uma anatomia precisa, excelente. Brigava com Michelangelo a esse respeito, desrespeitava-o até.

Leonardo da Vinci era homem moderno mesmo naquela época, assim como o seria hoje. Leonardo da Vinci já era uma pessoa, assim, “web 2.0” muito antes dos primeiros bits e bytes.

E é esse espírito renascentista que nós deveríamos fazer ressurgir: que época melhor para termos interesses em todas as áreas do que hoje, quando o acesso a esse conhecimento é tão aberto, tão amplo?

Não sou uma designer e, francamente, creio que nunca o serei, ainda que o assunto me interesse terrivelmente e eu tenha esperanças de ainda ser uma fotógrafa decente. Mas esse interesse me fez ler sobre usabilidade, e este é um conhecimento no qual eu espero me aprofundar. Começo a aplicar estes conhecimentos pouco a pouco:  começo a dividir meus longos posts em “blogs”, a destacar títulos, para facilitar a leitura e captar a atenção do leitor.

Por que você devería treinar sua consciência? Sua amplitude de conhecimentos? Porque isso trará resultados. Isso o fará diferente, o fará mais amplo. Você pode ser um fotógrafo com um senso estético diferenciado por ter estudado a teoria das cores dos designers, pode ser um desenvolvedor melhor ao estudar a psicologia do usuário.

E como eu posso treinar minha consciência?

leque
Image by m vitor via Flickr

Quando eu era menor, mamãe vivia me dizendo que eu deveria “abrir meu leque”, que eu não deveria me fechar apenas em poucas coisas, não deveria ficar apenas escondida atrás dos meus livros quando há tanto a se fazer.

Eu demorei mas eu entendi, mãe. Ainda que, na maior parte do tempo, eu abra meu leque apenas para treinar mais aquelas coisas de nerd que você tanto me via fazer.

Abra o seu leque! Se você é da área de exatas, aproveite as férias para ler qualquer coisa que não seja uma leitura técnica!

Se você gosta de música, estude seu gênero favorito, mesmo que você seja incapaz de tocar um instrumento ou mesmo cantar debaixo do chuveiro.

Leia, leia muito. Leia de tudo. Se você sempre leu suspense, tente um romance. Se lê apenas livros de administração, leia um livro de psicologia. Se você lê apenas livros, compre revistas. Se você lê apenas revista, compre livros.

Preste atenção no mundo ao seu redor – isso é, certamente, o que mais lhe ajudará. Pergunte, questione. Evite a rotina: tome caminhos novos para ir ao trabalho, inverta a posição das suas barras de tarefa no seu computador, troque as coisas de lugar. Faça ao contrário. Ao evitar a rotina, você pode começar a se questionar, a ver que alguma coisa poderia ser diferente. Ao tomar um caminho diferente, você pode se deparar com um lugar mais bonito, uma rota mais longa pode ser mais rápida ao desviar do centro no horário de pico.

Torne isso uma meta: a cada dia, tente aprender algo novo, fazer algo diferente. Saia com sua máquina digital e tire fotos. Não importa que fiquem ruins – mas você prestará atenção no mundo ao seu redor. Nas pessoas, no que elas fazem.

Novamente, das citações de mamãe: “se você quer algo diferente, faça coisas diferentes”.

E aí, o que você fez de diferente hoje?

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Responses

  1. Diferente… bem, err… eu vou devolver um celular que deu problema pela segunda vez ^^

    Mas é certo o que você disse, quanto mais conhecimento se tem melhor em tudo você será. Conhecimento nunca é demais (salvo em casos de queima de arquivo o_O).

    Hoje em dia com todo o conhecimento que cai no nosso colo até sem esforço nenhum para encontrar, perde-se com as frases “Ah, essa não é minha função mesmo, para que eu vou querer saber?”.
    Tem gente que não consegue enxergar o horizonte. E depois fica reclamando que o carinha que foi admitido depois dela foi promovido e ela não.

    Enfim, excelente texto.

  2. Ótimo post!

    Realmente, com a Internet, existe informação em absurda quatidade sobre qualquer coisa. Mas talvez isso também seja um problema, pelo menos para aqueles que ainda não sabem separar boas informações das más.

    Antes, o problema era a falta de informação ou do acesso à ela. Hoje, o problema é o excesso.

    Sobre abrir o leque, para quem discorda, é só pensar no que Steve Jobs fez em seus tempos de universitário. Disciplinas aparentemente inúteis, como caligrafia, possibilitaram a Jobs, anos mais tarde, projetar os computadores e sistemas mais bonitos da época (e de ainda hoje).

    Abrir o leque me fez pensar em coisas que antes eram “impensáves”, como seguir uma carreira acadêmica. E cada vez que me aprodunfo nisso, mais eu noto certos padrões de educação. E mais eu me acho buscando soluções para problemas de educação…

    Enfim, excelente ponto de vista.

  3. O que eu fiz de diferente hoje…? Atualizei o meu Blogger do História Proibidas que estava abandonado a séculos, comecei a ler um livro que nunca tinha lido e que já tinha um tempão mas estava encostado, comecei a minha pesquisa para a minha próxima Fanfic de Phantasy Star…

  4. Que post… lindo? Começou ali, sossegado, de repente… Pá. Demais. Mudou minha vida. Sério.

  5. Você tem um jeito de falar que eu nunca sei se você está sendo irônico ou não… xD

  6. Você tem um jeito de falar que eu nunca sei se você está sendo irônico ou não… xD

  7. Digite seu comentário aqui.


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