Publicado por: miwi | janeiro 4, 2009

Uma Idéia Para uma Startup (Que Não Daria Certo)

il celo in una stanza

Sabe aquelas idéias mirabolantes e geniais que você costuma ter na calada da noite, numa crise de insônia (ou, como costuma acontecer comigo, enquanto toma banho)? Que você fica lá, namorando, pensando em como a idéia é boa, que você realmente gostaria de levá-la adiante, mas nem sabe direito por onde começar… e que se é tão boa, porque ninguém teve essa idéia antes… e, na verdade, eu acho que aquilo nem daria certo… ah, "que empenho"…

Aí de repente você está lá, por aí, e de repente… "ein, isso me é familiar". Pois é. Em algum lugar completamente inesperado você descobre que a sua idéia já saiu do papel. É impossível não ficar com aquela sensação de "malditos, roubaram minha idéia!", embora a única maneira disso poder acontecer seria com a ajuda de uma máquina do tempo. E um leitor de mentes – ou um Vulcan. O que for mais conveniente.

Pois é. Isso acaba de acontecer comigo.

 

Os "Copiões"

O nome do site é "Amie Street", e se trata de um site cujo foco é vender música… ou melhor, cujo objetivo é LEVAR músicar aos seus ouvintes, já que muitas das músicas encontradas no site são gratuitas.Amie Street - Community-driven Music Sales

 

Mas, qual é o modelo de negócios? Como isso pode ser "sustentável"? Ou, ainda, como esse site é diferente do Jamendo, um site de músicas sob licença Creative Commons que eu adoro?

Simples: as músicas COMEÇAM gratuitas, mas conforme são baixadas e se popularizam, seu preço vai subindo – até o preço máximo de 98 centavos. Sim, isso quer dizer que, por mais popular que seja uma música nesse site, ainda assim ela será mais barata do que em praticamente qualquer site de venda de músicas por aí.

Além disso – veja só que bacana! – você pode recomendar músicas que você comprou. E, conforme o preço da música for subindo, você ganha por ter recomendado aquela música! Funciona assim: você compra uma música por, digamos, 20 centavos de dólar e a recomenda. Algum tempo depois, essa música vira um hit e passa a ser vendida por 98 centavos de dólar. Você ganha a diferença de 78 centavos de dólar na sua conta para gastar na compra de outras músicas.

Eu percebo um potencial de "viral" fantástico nesse tipo de coisa, vocês não?

Down Down DownPara testar o programa, comprei uma música:  a Lover Run for Cover, deste álbum, por 26 centavos de dólar. Para ouvir um trecho da música (ou de qualquer outra música do site) é só clicar no botão de "play" ao lado do nome da música, e um simples e efetivo player irá se abrir no rodapé da página e tocará a música via stream.

O processo de pagamento é simples e, novamente, eficiente: você pode escolher pagar com cartão de crédito ou PayPal, num certo número de créditos. Comprei três dólares de créditos (o mínimo possível) via PayPal e já recebi o link para baixar a música.

Aliás, o sistema de créditos também é interessante, já que valoriza os "aficcionados" por música: para comprar 50 dólares de créditos, você paga apenas 40 dólares, e para comprar 100 dólares de créditos, você paga apenas 75.

Você precisa de mais algum tipo de recomendação para um site como esse, que ajuda de maneira tão fantástica os músicos independentes? Que premia as músicas realmente "populares", mas que dá a chance para todos serem "descobertos"? Sério. vai lá.

Se faltava alguma coisa, as músicas são DRM-free, o que quer dizer que elas são aprovadas pelo xkcd. Extra-extra-points!

 

A Minha Idéia? Ah, a Minha Idéia era Assim…

Eu fico realmente indignada com a falta de opções para a compra de músicas online. Não apenas no Brasil, já que além de tudo sou barrada em boa parte dos sites de compras por ser, bem, brasileira. Mas, especialmente, ESPECIALMENTE, com a falta de opções brasileiras para se comprar música.

Sério. Opções para se comprar música online no Brasil, o que é isso? Fora os sites do UOL e do Terra, você conhece mais algum? E mesmo esses dois "grandes" sites, oferecem uma seleção limitada. MUITO limitada. E de um modelo de negócios no mínimo REVOLTANTE.

Eu me lembro de dar uma olhada no catálogo e resolver que queria comprar algo, para testar. Achei um álbum do AC/DC e pensei "cool!" e já fui feliz, pensando em comprar Hell’s Bells, uma das minhas favoritas.

Bom, aquele era um dos álbuns, dentre muitos, que não me dava a opção de baixar uma única música. Eu só tinha a opção de – AI, sinto um arrepio de indignação só de lembrar – comprar o álbum INTEIRO.

Pausa para efeito dramático, por favor. Releiam: em pleno século 21, em plena web 2.0, em "conteúdo gerado pelo usuário", em "democratização da internet", nós temos um sistema de venda de músicas tão idiota ao ponto de não me permitir comprar apenas as músicas que me interessam?

Sem falar na escolha inteligentissima de colocar as músicas a preços altos, ao invés de oferecer descontos para aquelas músicas que estão, por assim dizer, "encalhadas". Ou pacotes promocionais para os álbuns que vendem muito bem.

Eu senti vergonha alheia, juro.

Desde aquele dia, fico imaginando como seria um VERDADEIRO site voltado à venda de músicas para o mercado brasileiro.

Registro aqui os pontos principais de como seria o meu projeto, se eu sequer tivesse como levá-lo adiante:

  1. Facilidade de uso seria um dos pontos principais do site. O outro ponto principal seria descobrir músicas novas. Se for para escolher uma "visão", seria algo como "levar música do músico ao ouvinte da maneira mais simples possível, para ambos os lados".
  2. O pagamento seria facilitado: você colocaria créditos, de valores baixos a mais altos, com "bônus" para quem colocasse mais créditos, tal qual o AmieStreet. Aceitaria pagamentos por PagSeguro, boleto bancário, cartão de crédito.
  3. Como o mercado móvel cresce muito no Brasil, especialmente no quesito de músicas e toques, o site seria desenvolvido pensando nesse público: um site móvel para ser facilmente visualizado pelo celular, uma maneira rápida para comprar e baixar músicas direto para o seu celular.
  4. Como os usuários teriam de se registrar, pediria-se informações sobre onde a pessoa mora – mais especificamente, em que cidade/estado. Com base nisso, seria possível gerar relatórios para os artistas, para que eles soubessem em que regiões do pais estão mais populares e, também, isso poderia ajudá-los a planejar shows nestas regiões.
  5. Criar "pontes": os ouvintes poderiam se comunicar com os músicos, deixando-lhes recados, assim como os músicos poderiam ter sua própria página onde falariam sobre si mesmos, expor sua agenda de shows, um link para a página do grupo, etc.
  6. Dar liberdade para a comunidade: além de poderem opinar sobre músicas (desde que as tenham comprado, para evitar "arruaceiros"), os ouvintes também podem comparar bandas, no estilo "isso se parece com isso", além de criar mini-comunidades nas quais os ouvintes pudessem conversar e trocar sugestões sobre estilos, conversar com ouvintes da mesma região, etc.
  7. No lastfm existe uma coisa muito bacana (embora pouco usada por brasileiros, creio eu… existem vários shows no Brasil, mas poderiam existir bem mais cadastrados), a de agenda de shows: você pode conferir shows de suas bandas favoritas, shows na região em que você mora… o legal seria implementar algo assim também, que pudesse ser acompanhado por fãs de uma banda, ou interessados em saber quais shows estão agendados para a sua região. E, depois dos shows, quem foi poderia escrever sobre como foi o show.
  8. Criar "coletâneas" a preços promocionais, juntando músicas já famosas com músicas "semelhantes", para popularizar músicas que ainda não chegaram ao topo.
  9. Fornecer material promocional junto com as músicas, como papéis de parede (desktop e celulares), temas, etc.
  10. Disponibilizar as letras das músicas de maneira clara e sem a necessidade de ter de comprar a música para vê-las (já que isso não faz muito sentido)

Algumas coisas eu vi no AmieStreet e achei muito interessantes: a política de preços, a bonificação para quem recomenda músicas que se popularizam.

E está dando certo: o site já conta com mais de um milhão de músicas, e no final deste ano inaugurou uma nova versão do seu site, ainda mais voltada para a comunidade. É a prova de que algo assim pode dar certo.

E aí, nenhum grande empreendedor com o dinheiro para levar isso adiante se interessa, não? A página de contato está logo ali em cima…

 

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Responses

  1. Err.. nacional existe o Baixahits, não é uma maravilha mas dá pro gasto.

  2. Não vá ficar irritada quando ver um leitor de feeds exatamente igual aquele que você falou uns posts atrás, hein?

  3. Realmente seria interessante mesmo um site nacional como o AmieStreet, mas não pegaria muito facimente não, exatamente por causa da situação atual da pirataria no Brasil.

    Claro, acho que essa iniciativa iria ajudar a contornar este cenário, se isso realmente pegasse, não teríamos tanto problemas com pirataria assim.

    Acho legal você ter postado isso, e espero que alguém (quem sabe você mesmo, né?) tire isso do papel! =D

  4. eu fui toda empolgada, tinha até gostado dos preços… aí eu fui verificar os termos de uso e vi que eles usam DRM. Ó, diabos.

  5. Ahh eu não sou uma grande empreendedora, alias nem pequena mas enfim… Um dia vou ser! hahaha

    Bom se um dia der uma louca em você, lembre-se que tem uma doida aqui querendo investir em algo! xD


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