Publicado por: miwi | maio 14, 2008

[Primeiras Impressões] Lost Winds

Eu sei, eu sei… eu estava pensando em comprar este jogo só na semana que vem, mas resolvi adiantar um pouco isso justamente para poder escrever sobre ele para ajudar quem por ventura estivesse em dúvida se deveria baixá-lo ou não.

Bom, eu vou dizer o que você realmente precisa saber para se decidir: COMPRE-O. AGORA. Consiga o cartão de crédito internacional da sua tia avó, faça uma treta com seu amigo para ele te dar o jogo como Gift, lave o carro do seu vizinho para conseguir a grana… enfim, dê um jeito e compre o danado.

E se você não tiver um Wii? Bom, você deve conhecer alguém que tem. Faça o seguinte: peça o Wii emprestado por um final de semana, compre o jogo e jogue-o o final de semana inteiro (várias vezes, já que o jogo é relativamente curto). Seu amigo irá adorar a idéia, já que irá ter um jogo novo no seu Wii quando o tiver de volta. :p

Agora, se você simplesmente quer conhecer um pouco o jogo antes de baixá-lo, eu posso falar sobre isso também.

Quando vi este jogo pela primeira vez, eu pensei o que muitos também pensaram: uau, como esse jogo é bonito. E não bonito pela quantidade de polígonos ou zilhares de efeitos gráficos de nomes estranhos, mas bonito por ter uma excelente direção de arte – é, aquela mesma coisa que fazia certos jogos de SNES serem verdadeiras obras de arte mesmo contanto com um hardware super limitado.

O que eu ainda não sabia é que não apenas os gráficos eram assim, simples mas feitos com capricho, mas sim, o jogo como um todo: os sons remetem a uma aldeia inca, com uma música calma e relaxante que te faz esquecer da vida, numa verdadeira sessão de meditação. E não falo da boca para fora: numa semana cheia de provas e estudo, jogar esse jogo durante 50 minutos recuperou minhas energias de uma maneira que eu não esperava.

E o cenário não é apenas bonito, mas bem trabalhado: ao usar o espírito do vento, é possível mexer com as folhas das árvores, e mexer com os outros personagens, que ficam olhando para os lados em busca da fonte daquela corrente de vento repentina. Lindo.

Mas, peraí, você deve estar se perguntando “Como assim, ao usar o espírito do vento?”. Se você ainda não leu a respeito do jogo, basta saber que neste jogo você controla duas entidades: Toku, o menino de uma aldeia de aparência Inca, e Enrils, o espírito do vento que você está tentando ajudar.

Toku é controlado pelo Nunchuk e não faz muita coisa além de andar de um lado para o outro, pegar objetos, falar com pessoas e comer frutas gigantes espalhadas pelo caminho.

Aliás, abro um parênteses aqui: Toku é um símbolo infantil da criança que não quer comer o que os pais colocam diante dela. É a única coisa que eu pude concluir ao ver o modo como o pequeno come as frutas gigantes espalhadas pelo cenário: ele dá algumas mordidas, parecendo obedecer seu comando. De repente, ele pula em cima da fruta e ela some, possivelmente jorrando suco para tudo quanto é lado. Que desperdício! E tanta criança passando fome no mundo… é o momento mais politicamente incorreto do jogo, de longe.

Voltando ao jogo, você controla Toku, o menino que não sabe pular, e Enril. Ah, Enril… controlar o vento é uma das experiências mais agradáveis que eu já tive em um jogo nos últimos tempos. Fazer Toku ir de um lado para o outro jogando-o em correntes de ar criadas pelo Wiimote é simplesmente incrível!

Aliás, esse jogo está repleto de coisas que são simplesmente… divertidas… de se fazer. Por exemplo? Ficar mexendo com o Wiimote pelo cenário só para mexer nas folhas e irritar os aldeões. Ou ficar jogando as criaturinhas azuis que são seus inimigos mais fracos e que são praticamente inofensivos de um lado para o outro até jogá-los com força contra algo sólido para ver eles serem esmagados e transformados nas… mini-essências de vento que você coleta para conseguir vidas.

Aliás, lembra de como era legal ficar coletando Star Bits no Super Mario Galaxy? Se você tivesse de ficar pulando com o seu personagem em cima deles, seria uma tarefa quase tediosa, mas como se tratava de passar com o Wiimote por cima deles, muitas vezes enquanto fazia outra coisa com o Mario, como matar um inimigo ou pular numa plataforma, transformava o ato de coletar Star Bits em uma coisa muito mais agradável de ser feita, já que você acaba fazendo isso de maneira quase natural. Em Lost Winds é muito parecido: ao passar o cursor por cima de uma das pequenas “coisinhas” azuis que ficam flutuando pelo cenário, você acumula mais da essência do vento, que você usa para preencher três “recipientes” com o símbolo do vento que ficam no canto superior direito da tela. E para que servem esses recipientes? Quando você morre, você pode gastar um desses recipientes para ressuscitar o Toku. Não que isso ocorra com muita frequência: não é um jogo no qual você morra com frequência.

De fato, este é um jogo perfeito para relaxar depois de um dia cansativo (digo por experiência própria :p): Não é um jogo que vá te frustrar, fazendo-o morrer zilhares de vezes e forçando-o a refazer as mesmas coisas até acertar uma sequência de movimentos milimetricamente coordenados. Ao mesmo tempo, ele irá te fazer pensar – não muito ao ponto de te deixar estressado, mas ao ponto de te deixar com um sorriso no rosto de satisfação ao se dar conta de como passar por um determinado obstáculo.

Aliás, um grande trunfo de Lost Winds é justamente isso: ele tem um dos melhores equílibrios entre o que ele diz ao jogador e o que ele espera que o jogador descubra por si mesmo. Isso é difícil, já que dizer muito ao jogador muitas vezes faz com que pareça que o jogo está duvidando da inteligência do jogador, e não dizer nada pode fazer com que ele se sinta perdido ao ponto de não saber o que fazer.

Por exemplo, o jogo explica as funções mais básicas, como criar correntes de vento com o Wiimote (aperte A, “escorregue” o Wiimote na direção desejada, e solte-o) e cabe ao jogador usar esses conhecimentos para passar pelos obstáculos que vão aparecendo. Logo no começo, você descobre que é possível jogar água em uma semente criando uma corrente de vento que empurra a água na direção da semente, e mais tarde surgem desafios que exigem a mesma idéia, mas aplicada a diferentes objetos. Isso não é óbvio ao ponto de entediar o jogador, mas ao mesmo tempo é natural o suficiente para que o jogador evolua junto com o jogo.

A história beira ao extremo da simplicidade: Enril está preso e enfraquecido em uma pedra, mas ele precisa ficar mais forte para derrotar Balasar, a criatura maligna que desafiou os deuses e deseja governar Mistralis, o lindo planeta no qual você mora. Mais simples que isso, impossível. Mas o jogo consegue se safar com essa história aparentemente inócua pela maneira através da qual ela é contada: logo no início, Enril conta sua história usando gravuras coloridas e estilizadas, em um estilo inca (suponho que seja inca, já que é esse o tema comum às músicas, vestimentas, estilo dos cenários e objetos).

Eu novamente me lembro de Super Mario Galaxy, e a história que Rosetta conta que ganha um tom todo especial ao ser contada com gravuras coloridas e estilizadas de uma maneira belíssima.

No início, eu achei que algumas partes poderiam ser mais intuitivas – às vezes você acaba se perdendo pelos cenários, mesmo sabendo aonde tem que ir. Mas acabei percebendo que isso era mais um ponto forte do jogo: você dificilmente está longe demais do seu objetivo, e explorar o cenário geralmente é uma experiênca recompensadora. Se você está empacado demais em um lugar, talvez seja melhor voltar um pouco e ver se não havia outro caminho – isso aconteceu hoje comigo, mas admito que me perder não foi uma experiência tão ruim quanto costuma ser, já que eu normalmente odeio ficar perambulando de um lado para o outro sem chegar a lugar algum. Mas a experiência aqui se tornou tão agradável que eu acabei não me importando.

Outro ponto interessante é que ele não foge de uma das regras de ouro desse tipo de jogo: vá revelando novas habilidades aos poucos, conforme o jogo progride. Desta maneira, o jogador sempre está curioso para saber o que vem a seguir, que tipo de habilidade ele irá ter.

Trata-de um jogo relativamente curto, o que muitos consideram um pecado numa época de jogos épicos que consomem centenas de horas da vida de uma pessoa. Mas, para ser jogado sem compromisso, para relaxar, para se encantar… Lost Winds tem o tamanho ideal. E eu poderia lembrá-los que Portal foi um dos melhores jogos do ano passado e também possuía apenas algumas poucas horas de duração.

Se existe apenas um motivo para baixar esse jogo, eu diria que é porque ele me fez lembrar porque eu realmente gosto de jogar: porque é divertido. Eu não brinco com o vento porque eu preciso, mas porque eu me divirto fazendo isso.

É incrível como um grupo de desenvolvedores independentes conseguiu mostrar tanto sobre o que torna um jogo bom e que tantos desenvolvedores mainstream ignoram! Não importa tanto a quantidade de polígonos, a possibilidade de pintar seu personagem de trinta mil cores diferentes, ou a possibilidade de jogar o jogo durante mais de cem horas, mas o que importa é se o jogo é divertido ou não.

Lost Winds é o tipo de jogo que eu esperava para o Wii desde o seu lançamento: ele possui uma maneira diferente de ser jogado, que simplesmente não funcionaria de maneira tão fluída em nenhum outro console (embora provavelmente pudesse ser adaptado para o DS…), e ele é divertido. Jogá-lo é agradável como ouvir sua música favorita no seu mp3 player enquanto lê seu livro favorito, e eu realmente estava sentindo falta disso nos últimos jogos que eu tenho jogado.

Lost Winds é EXCELENTE. E, perceba, ele NÃO é “excelente para um jogo de Wiiware”, nem “excelente para um jogo de Wii”, nem mesmo é um “jogo excelente”. Ele é uma forma de entretenimento excelente por si só, que eu recomendaria mesmo a alguém que não gosta de jogos.

O que, e você ainda não foi ligar o seu Wii para comprar este jogo? Está esperando o quê?

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Responses

  1. Bem legal a analise, estou pensando em pega-lo!!

  2. Boa análise! Deu vontade de comprar!
    Do jeito que ando estressada esse deve ser um ótimo jogo xD Quem sabe ele renova minhas energias também assim como fez com você, estou precisando urgentemente disto…
    Ainda não cheguei a comprar jogo no wii, e não sei se meu cartão está com limite porque já pedi 3 jogos esse mês (um do wii e dois do ds) ><
    Acho que vou ter que esperar o mês que vem…

  3. Cindy,

    Ficou muito bem escrito sua revisão do jogo.
    E seja bem vinda a comunidade. Vc fez falta! 😀

  4. Acho que vou levar

    runningbrazil.blogspot.com

  5. Comprei, joguei, adorei. Recomendado.

    ps: ótimo review. ^^

  6. Vou obrigar o Yoda a comprar e jogar XD
    Me deixou com vontade agora. Desde o momento que eu vi achei o jogo bonito. Amo jogos nesse estilo *-*

    Não sei por que, mas certos pontos do jogo me fizeram lembrar de Heart of Darkness. Vou ver se ressucito o PS1 pra jogar XD

  7. Nunca joguei Heart of Darkness, mas se for legal como Lost Winds, é must have xD

  8. Ahh… Eu comprei esse jogo no lançamento do WiiWare. É mto bom!!! Adorei o review, concordo com tudo oq vc disse(menos o lance da semana de provas, a minha foi semana ante-passada :P).

    Eu comentei num post anterior, não sei se vc viu. Eu tava pedindo pra vc postar uns wallpapers bonitos 😀

    Bjos :*

  9. Ja tem tempos que to de olho nesse jogo! Gostei muito do seu texto, agora só me falta um Wii!
    Beijão


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